Compartilhar
O mercado de boi gordo no Brasil encerra 2024 com preços relativamente estáveis, apesar das pressões de baixa registradas em dezembro. A arroba fechou o ano cotada a R$ 315 em São Paulo, com oscilações pontuais em outras regiões. Analistas do setor, no entanto, projetam um cenário mais otimista para 2025, com expectativas de alta nos preços.
Segundo Allan Maia, analista da Safras & Mercado, as escalas de abate confortáveis dos frigoríficos e o ritmo lento de compras limitaram os negócios ao longo do mês. “Com a proximidade do final de ano, o mercado sinaliza perda de liquidez, com um viés de queda nos preços da arroba, a depender da resposta de demanda no atacado”, afirmou.
Balanço regional do mercado
Nas principais praças pecuárias do país, os preços apresentaram estabilidade ou retração moderada:
• São Paulo (Capital): R$ 315, inalterado na semana.
• Minas Gerais (Uberaba): R$ 310, recuo de 1,59% frente à semana anterior.
• Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 315, sem mudanças.
• Goiás (Goiânia): R$ 300, estável.
• Mato Grosso (Cuiabá): R$ 300, inalterado.
• Rondônia (Vilhena): R$ 280, sem alterações.
No mercado atacadista, os preços da carne bovina recuaram devido à competitividade de proteínas mais acessíveis, como carne suína e frango. Cortes dianteiros foram negociados a R$ 20,30/kg, uma queda de 0,98%, enquanto os cortes traseiros recuaram 0,74%, de R$ 27,00 para R$ 26,80/kg.
Exportações em queda no final de 2024
As exportações de carne bovina enfrentaram desempenho abaixo do esperado em dezembro. Dados parciais do mês indicam que o Brasil exportou US$ 438,372 milhões, com média diária de US$ 43,837 milhões. Foram embarcadas 89,335 mil toneladas, a um preço médio de US$ 4.907,10 por tonelada.
Comparado a dezembro de 2023, o valor médio diário exportado caiu 7,5%, e a quantidade média diária embarcada reduziu 14,3%. Apesar disso, houve aumento de 7,9% no preço médio por tonelada. Essa retração reflete a menor competitividade da carne bovina brasileira no mercado externo, devido à pressão de preços e desafios logísticos.
Projeções otimistas para 2025
Apesar de um cenário de retração em 2024, as expectativas para 2025 são positivas. A Scot Consultoria destaca que a estabilidade nos preços em São Paulo, mesmo em um período de baixa liquidez, sugere um potencial de recuperação.
Entre os fatores que sustentam a aposta de alta estão:
1. Diferença histórica nos preços: A disparidade entre os preços da carne no atacado e da arroba do boi gordo chegou a R$ 42,10 em dezembro, o maior valor já registrado, segundo o Cepea.
2. Demanda interna aquecida: A segunda parcela do 13º salário e as festividades de fim de ano podem gerar uma leve melhora no consumo a curto prazo.
3. Mercado externo: Há expectativas de retomada da competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional em 2025, principalmente com possíveis ajustes cambiais e novas aberturas comerciais.
Desafios e oportunidades para os pecuaristas
Embora o final de 2024 tenha sido marcado pela cautela dos pecuaristas, que evitaram grandes volumes de venda, a perspectiva de preços mais altos em 2025 traz ânimo ao setor. O cenário exige estratégias bem definidas, especialmente em relação à gestão de custos e planejamento de vendas.
A oferta e demanda devem encontrar maior equilíbrio no próximo ano, com previsões de menor abate de fêmeas, o que pode reduzir a disponibilidade de animais no mercado. Além disso, o aumento da demanda sazonal no início do ano pode ser um catalisador para a retomada das cotações.
Conclusão
Apesar de um ano desafiador, o mercado de boi gordo encerra 2024 com sinais de recuperação e estabilidade em São Paulo, principal referência nacional. A aposta de disparada nos preços da arroba em 2025 é fundamentada em fatores estruturais, como aumento da demanda interna, equilíbrio de oferta e ganhos potenciais no mercado externo.
Para os pecuaristas, o momento é de cautela, mas as perspectivas indicam um ciclo mais positivo no horizonte, consolidando a resiliência e a importância estratégica do setor para a economia brasileira.