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O mercado do boi gordo registrou queda significativa nos preços ao longo de fevereiro, pressionado pelo aumento da oferta e pela retração no consumo doméstico de carne bovina. Em algumas regiões, como Mato Grosso, a desvalorização chegou a 6,7%. A expectativa para março é de uma possível recuperação moderada, impulsionada pela entrada dos salários na economia e pelo aumento da demanda devido ao feriado prolongado de Carnaval.
Queda nos preços em fevereiro
A desvalorização da arroba do boi gordo foi generalizada nas principais praças de produção do país. O crescimento da oferta de fêmeas para abate, especialmente na Região Norte, contaminou o mercado nacional, facilitando a negociação dos frigoríficos por preços mais baixos.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, esse movimento ampliou as escalas de abate da indústria frigorífica, garantindo maior previsibilidade no fornecimento da matéria-prima. Esse cenário, combinado com um consumo interno enfraquecido, pressionou ainda mais os preços para baixo.
Preços da arroba do boi (janeiro x fevereiro)
No dia 27 de fevereiro, os preços médios da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais regiões produtoras estavam da seguinte forma em comparação com 31 de janeiro:
• São Paulo: R$ 313,67 (-3,5%)
• Goiás: R$ 294,64 (-3,64%)
• Minas Gerais: R$ 304,12 (-3,3%)
• Mato Grosso do Sul: R$ 302,05 (-3,3%)
• Mato Grosso: R$ 300,38 (-6,7%)
Apesar das quedas expressivas, as exportações de carne bovina mantiveram um bom desempenho, evitando uma desvalorização ainda maior da arroba.
Exportações ajudam a segurar preços
Mesmo com a pressão negativa no mercado interno, o comércio exterior continua sendo um fator relevante para a sustentação dos preços. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 755,4 milhões em fevereiro, com uma média diária de US$ 50,36 milhões.
A quantidade total exportada no mês foi de 153,1 mil toneladas, com média diária de 10,2 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.932,90.
Em comparação a janeiro, houve um aumento de 18,4% no valor médio diário exportado, um crescimento de 8,6% na quantidade média diária embarcada e um avanço de 9,0% no preço médio da tonelada.
Perspectivas para março
Para março, a expectativa é de uma leve recuperação dos preços, impulsionada por fatores sazonais. Segundo Iglesias, a entrada dos salários no início do mês tende a aquecer a demanda por carne bovina no varejo, o que pode estimular a reposição dos estoques e aumentar a necessidade de compra de gado pelos frigoríficos.
Além disso, o feriado prolongado de Carnaval pode favorecer um maior consumo de carne, levando a uma reação no mercado. No entanto, o analista alerta que esse movimento não deve gerar altas expressivas na arroba.
“As indústrias conseguiram, sem muita dificuldade, pressionar os pecuaristas por preços mais baixos em fevereiro. Mas, para a primeira quinzena de março, o cenário é um pouco mais favorável. Os salários vão entrar na economia, o que pode motivar a reposição de carne pelos frigoríficos e trazer mais sustentação aos preços”, explica Iglesias.
Dessa forma, espera-se que a arroba do boi gordo recupere parte das perdas registradas em fevereiro, mas sem grandes valorizações. O mercado seguirá atento ao comportamento da demanda interna e ao ritmo das exportações para definir os próximos passos.
Conclusão
A forte oferta de fêmeas para abate e a baixa demanda interna fizeram o preço da arroba do boi cair até 6,7% em fevereiro. No entanto, a tendência para março é de uma estabilização e possível recuperação moderada, impulsionada pela reposição dos estoques no varejo e pela demanda sazonal do Carnaval.
As exportações seguem sendo um fator de sustentação para o mercado, mas a recuperação do consumo interno será determinante para uma retomada mais consistente nos preços. Pecuaristas e indústrias devem ficar atentos às movimentações do mercado para tomar as melhores decisões nos próximos dias.