Ibaiti- O gerente do Deral de Apucarana e coordenador estadual da Câmara Setorial do Café do Paraná, Paulo Franzini, também aposta na mecanização como um recurso para incentivar a produção cafeeira diante do alto custo da mão de obra - e até mesmo da sua escassez -, mas chama a atenção para uma série de readequações necessárias nas lavouras para que a modernização seja eficiente. "É preciso fazer adaptações, como aumentar a distância entre as linhas dos pés de cafés para o manejo dos maquinários e viabilizar uma infraestrutura que possa armazenar adequadamente uma grande quantidade de café colhida em curto prazo. A colheita manual dura de três a quatro meses; a mecanizada, 15 dias", destaca, lembrando que nos últimos cinco anos a mecanização das lavouras vem sendo intensificada no Paraná, inclusive com algumas experiências comunitárias bem-sucedidas.

Segundo ele, as geadas dos últimos anos (principalmente em 2000 e 2013) e a falta de incentivo à cafeicultura, com preço mínimo que não cobre o custo da produção, acabaram por corroborar para a redução gradativa da área de cultivo no Paraná, mas, por outro lado, esse processo propiciou uma "seleção natural e mais conscientização dos produtores por produtos de mais qualidade". "O Paraná já chegou a produzir 24 milhões de sacas, mas herdamos a ‘fama’ de que ‘quantidade não é sinônimo de qualidade’. Hoje, produzimos 1 milhão de sacas e os recentes concursos de qualidade vêm comprovando e legitimando os avanços da qualidade do nosso café", ressalta.

Diante dos cuidados com o café, da florada até agora, as condições climáticas na hora da colheita são fundamentais para garantir a qualidade do produto final: "Chuvas em excesso e/ou por muitos dias interferem na qualidade do café e, nesse aspecto, a mecanização também ajuda, já que a colheita é feita mais rapidamente do que a manual", avalia Franzini.

"A cafeicultura ainda é uma atividade muito importante para a nossa economia e merece ser incentivada. A modernização é necessária e a difusão de tecnologias precisa acontecer. A assistência técnica também precisa ser mais próxima do agricultor e depende de mais incentivos do governo e da iniciativa privada. Infelizmente, poucas cooperativas atuam no café. Outro incentivo importante é com relação às linhas de crédito e seguro. O Pró-Agro, por exemplo, deveria englobar o seguro da planta perene e não apenas da produção. É um dos ajustes que a Câmara Setorial já sugeriu e está sendo avaliado pelo Banco Central", defende.


Fonte: Agrolink