A falta de defensivos agrícolas eficientes contra a “broca do café” já provoca prejuízos milionários para essa cultura no Brasil.

Apenas na região do Cerrado Mineiro as perdas já chegam a R$ 7 milhões nesta safra, com 9% dos lotes danificados – um aumento de 2% em relação ao ciclo anterior –, de acordo com um levantamento da Cooperativa Expocaccer.

“Nos lotes de café de varrição, o percentual de broca é maior. Nos lotes de colhedeira ou de cafés colhidos de pano, como nós falamos aqui, a infestação é bem menor. Nos cafés mais novos, a infestação também é menor. Já nos mais velhos a infestação é um pouco maior porque o próprio grão de café que fica no pé é o hospedeiro para que a praga se desenvolva no próximo ano”, diz Joel de Souza Borges, trader da Expocaccer.

A broca do café é considerada uma das principais pragas da cafeicultura brasileira, atacando o grão no período de maturação e prejudicando a qualidade e produtividade da lavoura. “Se nós olharmos uma produtividade média de 35 sacas por hectare, o produtor vai perder em média, 25 a 27 quilos de café. Ou seja, a partir daí já se torna interessante o produtor fazer o custo/benefício para realizar o controle do defensivo agrícola”, disse Borges à Revista Cafeicultura.

O Endosulfan, que era o produto mais eficiente utilizado no combate da praga, foi banido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em julho de 2013, por deixar resíduos tóxicos no grão. No entanto, os produtores enfrentam dificuldades porque os novos defensivos disponíveis no mercado não apresentam a mesma efetividade e ainda aumentam o custo de produção por hectare em nada menos que 50 vezes.

“Hoje nós estamos buscando alternativas, algumas já registradas no mercado de forma emergencial. Foi estabelecida agora no dia 17 de setembro a portaria da ministra Katia Abreu focando a necessidade de agilizar o registro de produtos para várias pragas, entre elas o bicudo do algodão e a broca do café. Então existe uma predisposição do governo de agilizar esse processo”, diz Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal.

Para a Associação Brasileira das Indústrias de Café, a praga pode prejudicar a competitividade do produto brasileiro no mercado externo. “Alguns países aceitam até um certo limite de grãos brocados, mas esse limite hoje está sendo ultrapassado em muitas regiões. Portanto, o exportador que precisa 'rebeneficiar' o seu café assume mais custos e diminui a competitividade”, diz Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café.


Fonte: Agrolink