A crise econômica no país faz com que as vendas de combustíveis registrem queda pela segunda vez consecutiva no primeiro bimestre. E dessa vez, a redução no comércio de diesel, gasolina e etanol é ainda maior.

Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o total comercializado pelas distribuidoras nos dois primeiros meses caiu 5,5% –em 2015, a queda foi de 1,9%.

Combustível mais consumido no país devido ao peso do transporte rodoviário de cargas, o diesel apresentou queda de 6,6%. Mas houve redução também de etanol (-6,8%), que sofre com a entressafra de cana-de-açúcar, e da gasolina (-2,6%).

A diminuição é reflexo do movimento nas rodovias. Segundo o índice ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), nos dois primeiros meses, houve queda de 4,6% no fluxo de veículos pesados nas rodovias e de 1,4% no de leves.

Nos últimos 12 meses, a redução atinge 5,1% nos pesados e 0,9%, nos leves. O índice é calculado com base no total de veículos que passam pelas praças de pedágio.

DIESEL E PIB

No caso do diesel, a venda desse combustível tem acompanhado o desempenho da economia na última década. Em 2007, por exemplo, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 6,1% e a comercialização do diesel aumentou 6,53%.
Nos dois anos de PIB negativo, o diesel seguiu o ritmo: em 2009, as vendas do ano todo caíram 1,03%, enquanto o PIB recuou 0,1% e, em 2015, as quedas foram de 4,69% e 4,77%, respectivamente.

Segundo o índice ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), nos dois primeiros meses houve queda de 4,6% no fluxo de veículos pesados nas rodovias e de 1,4% no de leves. A taxa é calculada com base no total de veículos que passam pelas praças de pedágio.

"É uma situação compatível com a dinâmica industrial. O deslocamento de cargas depende do ritmo de produção. Como a produção está em retração, há arrefecimento no movimento nas rodovias", disse Luciano Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, que calcula o índice em parceria com a ABCR. Em São Paulo, a retração é mais acentuada, de 6% no fluxo de veículos pesados.

ETANOL: QUEDA APÓS RECORDE

Apesar de ter crescido 37,5% e batido recorde de vendas em 2015impulsionado por incentivos tributários, o etanol atingiu em fevereiro o pior volume desde setembro de 2014.

As vendas foram menores também graças à entressafra das usinas, que tradicionalmente encerram a moagem de cana em dezembro e retomam a produção a partir de março. No período, os estoques caem e os preços sobem.

A perda de competitividade do etanol ocorre desde novembro, quanto o preço chegou a 70,7% do valor da gasolina –até 70% ele é mais vantajoso–, segundo a pesquisadora Ivelise Bragato, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

"Em fevereiro a relação chegou a 76% e ficou ainda mais agravada para o etanol, o que não ocorria desde 2011."

O preço do etanol só não subiu mais porque havia 23 usinas moendo cana em fevereiro, fora do período tradicional, devido a três fatores: a necessidade de fazer caixa, moer sobra do ano passado, que foi chuvoso, e aproveitar o preço em alta.

O início de ano ruim confirma tendência verificada ao longo do ano passado, quando as vendas caíram 1,9% no mercado de combustíveis –a primeira desde 2013. Além de diesel, gasolina e etanol, o levantamento da ANP computa combustíveis como gasolina de aviação, GLP e querosene de aviação, entre outros (Folha de S.Paulo, 5/4/16)

 

Alta do etanol pode derrubar presidente do Conselho da Petrobras


Medidas da estatal colocam biocombustível em desvantagem perante a gasolina

Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o professor da USP Nelson Carvalho pode perder o cargo caso mantenha a política de redução do preço da gasolina, de acordo com apuração do Jornal do Brasil.

As medidas da diretoria prejudicam a concorrência com o etanol e aprofundam os problemas financeiros da estatal. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os preços do biocombustível subiram em 20 estados brasileiros na semana passada.

Em São Paulo, o principal estado produtor, a cotação subiu 0,44%, para R$ 2,756 o litro. No período de um mês, o etanol teve alta de 6,66% no Rio Grande do Norte. A política da atual diretoria coloca o produto em desvantagem ante a gasolina.

A produção do álcool no Brasil começou ainda na década de 1970. O país é o maior produtor mundial de etanol da cana-de-açúcar. As características agrícolas do país tornam viável essa produção (Jornal do Brasil, 4/4/16)


Fonte: Agrolink