A falta de chuva nas principais regiões produtoras de mamão do Brasil nos últimos meses ocasionou a diminuição da oferta da fruta no mercado e consequentemente uma forte elevação nos preços. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de março apontou o mamão como o principal item nos preços dos alimentos com 42% de acréscimo no preço nos supermercados em relação ao mês anterior.

Apesar de pesar no bolso do consumidor, a situação foi mais drástica para o produtor rural segundo o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), Franco Fiorot. “Como consumidores nós temos a oportunidade de escolher a compra ou não do produto e a quantidade de acordo com o preço. No campo, o produtor não pode escolher já que ele não controla os fatores climáticos e fica no prejuízo com a perda na produção devido a falta de água”, diz Fiorot.

E foi a seca prolongada dos últimos meses que afetou gravemente a produção nacional. No Espírito Santo, por exemplo, maior exportador e segundo maior produtor de mamão do país, estima-se queda de 50% da produção ocasionada pelo não desenvolvimento dos mamoeiros que não receberam irrigação suficiente seja pela falta de água em rios e represas seja pela restrição da irrigação por parte do governo. “A crise hídrica foi tão grave no Estado que faltou água para consumo humano e, por isso, o governo limitou a irrigação em vários municípios”, afirma Franco Fiorot.

Sem ter água, as lavouras de mamão não conseguiram formar frutos. Na fazenda da empresa Caliman Agrícola, uma das mais tradicionais da região, a produção que era de 1.200 toneladas por mês caiu para cerca de 300 toneladas. A diminuição da oferta de mamão no campo fez o preço pago ao produtor chegar a cerca de R$ 4,50 o quilo da fruta, índice histórico na atividade. Com menos fruta, as exportações capixabas de mamão também tiveram redução no mês de março e a tendência, segundo a Brapex, considerando a situação climática atual, é de mais queda nos embarques internacionais nos próximos meses.


Fonte: Agrolink